terça-feira, 28 de março de 2017

VOCÊ JÁ USOU A SUA BOCA HOJE?


Boca suja


Boca suja
Que fala e reclama, grita, apanha
Chora e sangra, mas não cala!

Boca suja
Que beija, chupa e lambe
O anel, os lábios e a glande

Boca suja
Que ébria ou sóbria, sonha sempre
Apesar dos falsos messias e suas cobras.

Boca suja
Que só a trégua já não satisfaz
Ferida por tanta guerra, quer é paz!

Boca suja
Que devagarzinho, quer erguer bela casa
Um ninho, para passarinho, sem asa.

Boca suja
Que tanto canta, quanto silencia
Emudecendo o barulhento em sua melodia.

Boca suja
Que trabalha!E muito rala na labuta
Útil ao deputado tanto quanto para a puta.

Boca suja
Que quando quer fica limpinha!
Como uma boca solene, distinta e de bem

Que um dia pode ser sua, noutro minha também.




domingo, 19 de fevereiro de 2017

REFLEXÃO EM ESCRITA SEMI-AUTOMÁTICA

 Alegre é a loucura irônica em meio a falta de sentido, em meio a dramas auto-impostos de solução já sabida, parecendo-me melhor dramatizar até a ficar grotesco do que aceitar aquela que me parece a única saída, bem pior que a morte, é erguer um monumento ao fracasso com minha separação. Mais honrado, talvez, seja esgotar tanto as esperanças quanto as alternativas, olhar de frente o temível e destruidor desconhecido, num primeiro encontro, que por mais doloroso que seja, espero que venha logo, enquanto os dias de agonia se derramam em um lamaçal de incertezas só consigo pensar que alívio do fim de ciclo seja a mais aprazível das certezas, quero pra logo esse marco simbólico, uma data pra lembrar, de quando esse sonho real e datado finalmente terminou, quero poder berrar!  Morreu! Acabou! Pior que qualquer perda é zumbido que a anuncia, pior que a bala é o estampido, naquele meio segundo que você espera pra ser atingido, ainda tenham lhe errado como alvo.
 Que meu existir se exploda, e exploda agora! Já! Estou exausto de existir nesse meio moribundo de ressuscitações intermináveis, esse meu bioma psico-sócio-existencial tem que morrer, o chão que eu piso é uma areia molhada e estéril, clamando por algum cadáver qualquer que lhe sirva de adubo. 
 O que eu mais quero saber é como fazer para que essa morte, benfazeja e inevitável, ocorra com menos dor e fausto possível, lágrimas e gritos não ajudarão ao corpo apodrecente adubar a nova vida, lamentos são inúteis e idiotas, quero só um pouco de raro silencio compreensivo, não de todo complacente é claro mas ao menos respeitoso, por um tempo breve. 
 Quero viver, se a assim a lógica abstrata da natureza quiser, por isso é imperativo deixar morrer, sem dó, que só serve como nota em musica, pra além disso é uma baita desnecissadade burra. 
Morrer e renascer, já!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

BELEZA FRÁGIL






A beleza é frágil
Um estado instável
Que se esvai
Pelos olhos vãos
De quem não quer ver

Assim ela fenece
Para depois renascer
Não se sabe onde
Talvez numa bela vista
Frente a retinas menos vis


domingo, 15 de janeiro de 2017

O AFAGO


Dessa vez sem "textão", somente uma pequena amostra do teste de novas técnicas e materiais, neste caso, lápis aquarela sobre tecido com acabamento em caneta hidrocor e tinta de tecido.

Ps: Vem muito mais coisas boas por aí!



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

AQUARELAS DA MEMÓRIA

Quando cheguei à faculdade descobri, que diferente da musica do Toquinho, não dá pra fazer um castelo com cinco ou seis retas, o que compensou a frustração foi saber dos muitos castelos que existem por aí, todos com suas infinitas retas e curvas, dignos de continuar existindo e nos inspirando.
A preservação de todo patrimônio cultural material é necessária à medida que nos obriga a pensar, a conviver com as diferenças, a saltar da banalidade de nosso cotidiano e vagar pela infinitude do tempo, num impagável passeio guiado pelos passos largos de Crhonos.
Em meio a esses devaneios pintei essas aquarelas, como fragmentos de lembranças infantis, coloridas e despretensiosas, sem tanto rigor  mas com muita emoção, singelos recortes de arquiteturas imaginárias, memórias sugeridas para que cada um evoque as suas...






sábado, 24 de dezembro de 2016

FIM DE ANO, FIM DO MUNDO? OU RECOMEÇO?



É chegada a hora de renascer, de fazer da esperança uma ferramneta de empoderamento, reconhecer o nosso potencial transformador. Temos que re-existir, buscar novos caminhos em meio ao caos, pois deixar de caminhar não fará a lama secar muito menos os muros caírem, acreditar no futuro é dar sentido ao presente. Precisamos tratar das feridas do mundo, mesmo que elas não cicatrizem nunca ao menos serão simbolos profundos, nos lembrando sempre de como é importante previnir que novas chagas nos perfurem o peito e crucifiquem a alma.

Talvez mais do que nunca, ter esperança hoje seja um ato de coragem, rebeldia, trangressão e luta!







quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

FLORILÉGIO


EU SOU VOCÊ 
OUÇA O BRADO QUE RESSOA
A DIZER EM UNISSONO
QUE AQUILO QUE NOS UNE
É O SONHO DE SER 
SER, O QUE DE FATO SOMOS 
ENTÃO SEJA MAIS E NÃO SOMENTE
POR QUE EU...
EU SOU VOCÊ!   




Recentemente tive o privilegio de participar da antologia do grupo Poesia Santa Cruz, não como poeta evidentemente, mas contribuindo humildemente com três desenhos meus, criados em períodos diferentes com características bem distintas entre si apesar da mesma linguagem, tentei com eles evocar o espírito plural e agregador do grupo, bem como da própria antologia.
Na era da falsa liberdade, fruto do suposto anonimato virtual, é louvável estar ao lado de quem usa as redes sociais para se mostrar, mas de maneira tão nobre, através da poesia! Usando likes, posts e versos para tentar humanizar nossas relações tão difíceis, para alem dos “textões” opinativos ou dos grunhidos reacionários em CAIXA ALTA, o exercício da poesia coletiva trouxe a todos os integrante e/ou leitores a possibilidade de conviver pacificamente com a transtextualidade da vida, pois todos ali são poetas e muito mais... Poetas jovens, poetas pós-doutores, poetas mães, poetas gays, poetas desempregados, poetas carecas, poetas belos, poetisas livres, poetas sarados e outros nem tanto...
Em fim, humanos! Que fazem da poesia ferramenta para estimular as sutilezas da alma, aquelas coisas bonitas e sem nome definido que fazem a gente dormir em paz.


Muito obrigado aos organizadores da antologia, todos os integrantes do grupo e principalmente aos incontáveis leitores e leitoras que dão vida a iniciativas como esta! 

Quem quiser saber mais sobre o coletivo segue o link, recomendo vivamente!

E aqui você pode adquirir um exemplar da sensacional antologia!